Entrevista
Um momento especial com alguém que eu admiro e respeito como ser humano: Mistress Bela, se revelando deliciosamente para vocês...
M†Š - Você é uma mulher moderna. Como organiza a sua vida doméstica?
Bela – Estou em minha terceira faculdade e em casa não faço nada que seja doméstico. Afinal, escravos servem pra isso, não? Então dedico meu tempo aos estudos do ultimo ano de Direito e ao BDSM.
M†Š - Você é vaidosa, dessas que seguem as últimas novidades das revistas femininas?
Bela – Eu não sou muito vaidosa. Leio as revistas femininas quando há algo muito interessante, o que hoje é difícil. Além de receitas, dicas de cozinha, o que mais essas revistas tem de bom? Penso que a moda é medíocre e sou muito radical ao me vestir. Ou muito esporte ou muito chique. O meio termo é entediante.
M†Š - Por que escolheu a carreira jurídica? Como descobriu que queria ser advogada?
Bela – Houve há muitos anos uma denúncia anônima de pedofilia contra o Clube Dominna. Isto nos causou um baita transtorno pois é difícil explicar a polícia que o sadomasoquismo é algo organizado, avesso à drogas, pedofilia entre outras coisas. Então eu resolvi estudar sobre o assunto e me assegurar que o que eu fazia não oferecia riscos para mim e para os que minha casa freqüentavam. É desta forma que hoje sinto uma imensa segurança de falar sobre nossa filosofia de vida. Com todo o respaldo nas leis deste país, que muito embora não especifique nada sobre o sadomasoquismo, respalda-se em nosso artigo 5 da Constituição Federal.
M†Š - Você é corajosa?
Bela – Bem, nunca pensei sobre isso...
Mas como jamais me acovardei em nada que fiz, creio que sou corajosa sim. O sadomasoquismo é uma palavra pesada por tudo que já foi erroneamente passado para a mídia, então lidar com ele abertamente necessite de coragem. Ter tido uma casa aberta por tantos anos também necessitou de muita coragem. O maior momento de coragem em minha opinião foi decidir fechar o Clube Dominna. Eu tinha a certeza que muitas pessoas seriam prejudicadas com este fechamento, mas eu fechei uma porta mas pretendo abrir outras tantas janelas.
M†Š - Sua intuição já te ajudou em alguma ocasião ou você prefere tomar decisões somente de maneira racional?
Bela – Eu faço TUDO por intuição. Jamais fiz algo em minha vida racionalmente. As pessoas a minha volta estranham muito algumas mudanças de direção que tomo. E até hoje havia pedras no caminho antigo que seriam difíceis de ultrapassar. A intuição SEMPRE me ajudou.
M†Š - Você é uma mulher solidária, já testemunhei e comprovei isso pessoalmente. Qual é o significado das palavras fraternidade e solidariedade, para você?
Bela – Eu tenho algo em minha vida que carrego como lei:
1. Todos são iguais.
2. Nenhum a menos.
Jamais deixei alguém fora das minhas festas porque esteve sem dinheiro.
Abri minhas portas para as coisas mais inusitadas do mundo: desde hospedagem de pessoas sem local pra ir, passando por diversas entradas grátis e finalizando com diversos “perdões” Garanto-lhe que perdoei mais do que fui perdoada até hoje.
M†Š - Você acredita em fenômenos sobrenaturais ou em algo relativo à religiosidade?
Bela – Eu tenho fé. Fui criada em colégio católico, mas tenho uma profunda admiração pelo espiritismo. Não sou praticante, mas Deus tem me iluminado sempre em minha vida. Também por isso não ache que o sadomasoquismo seja algo errado, ou ele certamente já teria me punido por me dedicar tanto a ele. Tudo que aprendi sobre a Bíblia, e não foi pouco, eu tento adaptar a minha vida. Às vezes não consigo. Mas tento.
M†Š - Você vê o mundo com olhar BDSM ou em algum momento você deixa o lado “vanilla” (se é que ele existe), falar mais alto? Se isso acontece, quais são esses momentos?
Bela – Não tenho lado baunilha. Eu sou SM 24 horas por dia, mas não por isso preciso agir como tal. O sadomasoquismo está em minha mente, da mesma forma que meu coração está me meu corpo. Uma tatuagem não seria tão ligada a mim. Talvez eu pudesse ficar sem um rim, uma parte de meu pulmão, um dente; eu poderia perder todo o meu cabelo, poderia cortar uma perna, um braço e até mesmo a mão direita. Mas se eu estiver sem o sadomasoquismo na minha vida eu não me reconheceria.
M†Š - Você cuida do site do Dominna com perfeição. Você curte brincar nele ou é puramente profissional?
Bela – Não faço nada profissionalmente. Ou eu estaria rica. Eu faço só e somente só o que me dá prazer. Se você vir uma atualização no site do Dominna lembre-se que a Bela está feliz, empolgada e relaxando. Pois mexer no site é um dos meus maiores hobbies.
M†Š - Quais sãos os seus planos com relação aos próximos eventos do Dominna?
Bela – Nós fechamos o Clube Dominna em dezembro. Daí prá frente fizemos duas festas para matar as saudades de todos. Agora estamos sendo procurados por diversas casas noturnas que vêem no Dominna uma oportunidade de levar seriedade ao seu próprio publico. O fetiche é algo que jamais sai da moda, mas se o olharmos como moda o veremos vazio, só a casca. Alguém sem alma não pode se dizer fetichista e sadomasoquista.
M†Š - Você tem saudade de que?
Bela – Eu tenho saudade de TUDO. Cada momento que passei foi tão especial que citar apenas um seria injusto. Eu vejo as fotos e ao invés de me entristecer eu agradeço por ter tido a oportunidade de ter vivenciado aqueles momentos. Foram tão ricos que meu maior pecado seria não valorizá-los. Tudo me dá saudades e tudo me dá a alegria de saber-me vivenciando-os.
M†Š - Você tem fome de que?
Bela – Tenho fome em conhecer pessoas que sejam sadomasoquistas. Penso que o número é ilimitado. Eu já conheci pessoas suficientes para afirmar que são tantos que vocês jamais poderiam imaginar...
Principalmente os que estão impossibilitados de mostrarem-se por seu status na sociedade. Mas creio que o trabalho que fazemos colabora para que caiam os preconceitos e um dia poderemos falar do assunto em cadeia nacional sem que pessoas que vivenciam no anonimato publicamente o renegue.
M†Š - “Mulher que ama demais” ou “Mulher que transa demais”? Qual é a sua escolha e por que?
Bela – Amo demais. A transa é um plus em qualquer relação, mas não seu fim. Entre um amor e o sexo eu fico com o amor. Mas não por isso ama-se apenas uma pessoa. Eu sempre tive relações poligâmicas e acredito que não se trata de quantidade pura e simples, mas na imensa capacidade de amar muitos e ser amada por tantos outros.
M†Š - Qual foi a sua melhor transa?
Bela – A minha melhor transa sempre é a atual. Não estaria com alguém que não fosse a melhor. Ou eu lutaria para estar com as anteriores não é? A melhor transa é aquela proveniente da paz de espírito, do dar e receber amor e principalmente de ser correspondida sem joguinhos, com respeito e tranquilidade. Demorou, mas eu encontrei a minha melhor transa, né leo {BL}? Mas já vou avisando, até para que eu não estrague a escrava que eu sou POLIGÂMICA...rs
M†Š - Qual foi a sua maior aventura, na juventude, entre os 20 e 30 anos?
Bela – Eu sabia que era diferente das minhas amigas. Mas não tinha idéia em que. Nesta idade , 21 anos eu fui morar com uma amiga, que na verdade era a pessoa à qual me apaixonei. Amadureci rápido ao saber que ela, após 3 meses que estávamos juntas e que com tudo montado descobriu que não me amava. Eu esperei 5 anos que ela mudasse de idéia, daí resolvi continuar a cuidar da minha vida. Mas mesmo assim moramos juntas por 15 anos. Ela era mulher e me apaixonei por alguém que por acaso tinha o mesmo sexo que eu, embora eu seja bissexual. Essa foi uma aventura e tanto. A descoberta de minha sexualidade, a tomada de responsabilidade financeira e o compromisso de ser feliz, muito embora eu tivesse que escolher outro rumo.
M†Š - Qual é a aventura que você ainda quer realizar?
Bela – Eu quero fazer muito SM. Todas as minhas aventuras se referem a ele. Os que estiverem próximos a mim compartilharão disso. Mas não vejo aventura melhor que fazer SM.
M†Š - Você acha que o switcher é visto com preconceito por alguns adeptos do BDSM?
Bela - É mais fácil criticar negativamente o switcher do que tentar entendê-lo. Isso é coisa de preguiçoso e medíocre. A partir do momento que sabemos que existem diversos switchers, ver alguém duvidar da existência é assinar um atestado de imbecilidade.
M†Š - Afinal, por que você fechou o Clube Dominna?
Bela – Eu não fechei o Clube Dominna, mas sim a sede que abrigava reuniões semanais. O Clube Dominna continua com toda a sua força e tende a aumentar.O fechamento da sede deveu-se os 12 anos de dedicação que tenho com a Comunidade BDSM. Eu há muito tempo não tinha mais finais de semana, viagens, relaxamento, passeios dos mais simples aos mais extravagantes. A dedicação aos meus escravos também estava sendo prejudicada, pois apesar de eu ter um dungeon só meu, era muito raro estarmos a sós para fazermos SM. Os momentos de folga eram trocados por um pouco de sono.
Além disso tudo éramos alvo de todo o tipo de maledicências, claro, tudo isso feito pela desleal concorrência.
Então eu resolvi não deixar o alvo parado. Vai ser difícil para os inimigos nos alcançarem agora.
Resolvi me dedicar a reforma de minha casa de praia que será palco de muitas cenas com amigos queridos convidados. Os mais íntimos serão convidados para estes momentos ao meu lado.
M†Š - Bela, agradeço sua atenção e seu carinho nesta entrevista e reafirmo o que já disse dezenas de vezes: Você é uma mulher admirável!
Bela – Querida amiga, obrigada por estes momentos deliciosos onde pude me expor mais um pouco quem sabe elucidando duvidas que muitos pudessem vir a ter.
A admiração é recíproca...
Carinhos Mistress Bela






