Este não é um blog temático, até pq não levanto bandeira de nada e não faço parte de nenhum meio, seja ele qual for.
Sou uma viajante solitária... No entanto resolvi postar aqui, na íntegra, a entrevista q fiz hoje com a myrah, sobre a sua vida no BDSM, como submissa e praticante há mais de 8 anos.
M†Š- Como começou a sua atração pelo BDSM?
myrah- Senhora querida! Muito obrigada por permitir que as pessoas conheçam um pouco mais de nós, Senhora das Sombras.
Sempre tive desejos submissos, no sexo sempre gostei de ser dominada e sempre me identifiquei com o prazer da dor.
M†Š- O q significa submissão, para vc?
myrah- a submissão é um ato, na minha opinião, inexplicável. Sou submissa porque sou, é como amar, quem consegue explicar o amor?
M†Š- Vc tem alguma tendência para ser switcher?
myrah- Não Senhora, nenhuma. Embora seja uma mulher forte, não tenho prazer em Dominar. Como fetiche, eu até encararia, como encaro qualquer um...rs mas, não tenho nenhuma tendência SW.
M†Š- Na sua opinião, qual é a diferença entre uma escrava e uma submissa?
myrah- Para mim, submisso (a) é o botton que sente prazer em se submeter, escravo (a) é aquele que tem a quem submeter-se.
M†Š- Em qual situação vc seria capaz de dizer “não” ao seu dono?
myrah- Em quase 3 anos de D/s, nunca disse um não ao meu DONO, mas isso não é mérito de myrah. É mérito Dele, pela coerência e bom senso e por conhecer e respeitar os meus limites. Mas considerando que ELE perdesse essas qualidades e me mandasse abandonar meus filhos por uma sessão, eu diria um não.
M†Š- No seu cotidiano baunilha vc tem atitudes como submissa?
myrah- Por incrível que pareça, não.
Sou responsável por uma equipe de homens e mulheres. Delego tarefas, cobro resultados e sou respeitada nos meus projetos e decisões. A única atitude submissa que tenho durante o expediente é largar tudo se meu tel tocar e for o Senhor ALDO.
M†Š- Na sua opinião, existe relação SM sem sexo?
myrah- Em se tratando de BDSM, existem muitos tipos de relação e eu costumo respeitar todas, desde que embasadas no SSCE - São, Seguro, Consensual e Ético.
Na minha o sexo é parte da minha submissão. Eu entrego meu corpo para o prazer sexual do meu DONO e só a ELE, assim como o restante da minha submissão.
M†Š- Qual é a sua fantasia mais constante?
myrah- minha fantasia constante é a de ficar debaixo da mesa do meu DONO, como faço sempre...receber carinho nos cabelos com os pés ou simplesmente ficar deitada aos pés Dele enquanto ELE trabalha.
M†Š- Existe alguma prática sexual bizarra, que você não faria?
myrah- Na negociação, Senhor ALDO mandou-me preencher um questionário, tinha um montão de perguntas, pequenos detalhes, mas lembro-me muito bem que de todas havia apenas 3 ou 4 SIM, velas, spanking (leve), sexo anal, essas coisas.
Quando completamos um ano de D/s ELE mandou-me responder o mesmo questionário novamente e pasmem: Nenhum Não. Então eu afirmo, posso até dizer que não gostei, como já aconteceu, mas desejo experimentar tudo.
M†Š- E quanto às práticas que algumas pessoas consideram sm (ao meu ver equivocadamente), como scat e zoo?
myrah- Abomino pedofilia... isso é indiscutível para pessoas de bom senso.
Mas não vejo o resto com olhos críticos. Estar sob domínio legítimo me libertou de preconceitos de qualquer espécie. Scat e zoo, no meu entender, são práticas extremamente humilhantes e eu não aprecio humilhação, mas meu DONO sim, logo, não ouso dizer que não faria... Senhor ALDO certamente vai ler a entrevista...rsrsrs
M†Š- Como usar o chamado SSC (São, seguro e consensual), dentro de uma relação sadomasoquista?
myrah- O São não é para estar... é para ser... somente pessoas equilibradas psicológicamente conseguem relações satisfatórias no BDSM, pelo menos é o que conta minha pouca experiência.
O Seguro é responsabilidade de ambos... sempre.
E o Consensual...bem, aí eu diria que a questão é confiança mútua. Eu entrego minha vida nas mãos do Senhor ALDO, não porque faz parte da tríade SSC... mas porque confio na responsabilidade DELE.
M†Š- É fácil identificar se um praticante de sadomasoquismo é sério ou se é um psicótico? Que dica vc daria sobre isso, para os iniciantes?
myrah- Para os iniciantes não é fácil não. Com o tempo vamos detectando falhas de postura. Minha dica para quem está descobrindo este Universo que ora é céu, ora é inferno é que tenham paciência... sempre. Um passo de cada vez, sem pressa.
M†Š- Como bi, vc já se apaixonou ou foi dominada por uma mulher?
myrah- Nunca fui dominada por uma mulher, minhas relações bissexuais não vão além da cama, embora tenha grande carinho pelas mulheres com as quais já me relacionei, nunca me apaixonei por nenhuma.
M†Š- Como vc vê a competição existente entre algumas submissas do meio BDSM, tanto virtual como real?
myrah- A competição propriamente dita, não me incomoda. O que me incomoda são os métodos usados para vencer a competição. Eu acho nobre que as submissas queiram estudar mais a liturgia, conhecer um pouco mais a fundo determinadas práticas e se umas se sobressaem por conta disso o BDSM ganha e muito, acontece que o que vemos não é bem isso... pisar nas cabeças umas das outras para conquistas uma coleira, um DONO, ou uma sessão que seja é o que eu lamento profundamente.
M†Š- O que vc acha da necessidade notória de algumas “submissas”, se afirmarem no meio como mulheres “inteligentes”, geralmente usando blogs ou chats como palco?
myrah- Eu frequento alguns chats e passeio por muitos blogs, uns são realmente dignos de apreciação, outros caem nesta necessidade da auto-afirmação de seus protagonistas que é sim, notória. No meu entender, os iguais se atraem, meninas que iludem, vão encontrar pelo caminho pessoas que não se importam em ser iludidas.
Passar uma imagem do que não se é pode abrir algumas portas, mas não é garantia de permanência em lugar algum, especialmente no BDSM.
M†Š- Qual seria a sua reação, caso vc tivesse um filho ou filha q quisesse entrar para o meio BDSM?
myrah- Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço, é uma máxima, no mínimo, ultrapassada.
Certa vez, entrei na sala e peguei minha filha de 11 anos puxando meu filho de 9 anos pela guia do cachorro e gritando:
- CALA A BOCA, SEU INÚTIL!
Parei na porta e calmamente falei para ela:
- Filha, faça o favor de tirar a guia do pescoço do seu irmão porque pode machucar.
Ela tirou a guia do pescoço dele e gritou:
- FICA AI PARADINHO QUE EU NÃO MANDEI VOCÊ SAIR!
Ele imitou uns latidinhos e eu falei...
- Agora brinquem sem nada no pescoço por favor que é perigoso.
Sai rindo muito, não sei se esse episódio é apenas uma brincadeira de criança ou se são os primeiros passos de uma DOMME e um botton. Se forem, a máxima é:
Já que vão fazer o que eu faço, venham aqui temos muito que conversar!!!
M†Š- kkkkkkkkkkkkkkkk
Excelente....
myrah, obrigada pela entrevista, adorei comprovar aqui a sua maneira espontânea de falar claramente sobre o seu fetiche, a sua vida...
Bjoooooo e até a próxima!
myrah- Eu é que agradeço o carinho de sempre e a oportunidade de expor um pouquinho do que sou. Flores de {myrah}_ALDO